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7 de novembro de 2013

Poemas de Solange Berard Lages Chalita


Desejos verbais


Solange Berard Lages Chalita


Quisera indisciplinar-se

Contra a sintaxe

E já pela manhã colher

Frases frescas

Feitas com sobras de orvalho


Nessas terras tórridas

Onde até o Amor estorrica

Quisera amolecer-se e render-se à verdura

Certa vez sonhada

Para povoar a linguagem

De símbolos renovados


(De "Canto Mínimo", Editora Scortecci - São Paulo - 2008)




No amanhecer de junho


Solange Berard Lages Chalita


Meu coração desenganado

Clinicamente

Afetivamente

Afetado

Meu coração desnudado

Baudelerianamente

Desesperado



Sem medicamento

Sem afeição

Literariamente

Safenado



Então

Quando a dor

Definitivamente

Quis matar-me



Tua lembrança

Deu-me um beijo

De amor 

De salvação 


(De "Canto Efêmero", Editora Scortecci - São Paulo -  2011)