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3 de janeiro de 2010

Meus poemas

O barqueiro

Iremar Marinho

Sei o perigo que corres, Caronte.
Sei o inevitável do Aqueronte.

Não sei como te salvar.

Um dia não retornarás
do inferno-porto.

Dante perde para sempre Beatriz.


Ofício de Advertência

Iremar Marinho

Cuidado com a bandalheira,
as olheiras!

O poeta revolve o caldo,
o saldo.

O poeta mantém o sentimento,
o pensamento

Contra a máquina que devora
as horas,

Contra o massacre do homem
pelo lobisomem.

O poeta é carbonário,
panfletário.

Cuidado com a cordilheira
da Mantiqueira!

Cuidado com o Santuário
do Rosário!


Cantar cigano para Garcia Lorca

Iremar Marinho

Eu tenho um nacarado no chapéu,
luzindo no profundo azul do céu.

Eu vejo um véu de nardos no bordel,
guardo sonhos do poeta, no papel.

Aura de estrelas iluminando
o bailado de meninas de aluguel.

Luar do sono, quando me acordo,
com a viola, da menina me recordo.

Eu vejo dos cavalos o tropel,
as capas negras, o rufar dos tamboris

Vejo o poeta, nas entrelinhas,
beijando a morte na mirada dos fuzis.