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18 de dezembro de 2009

Poemas alagoanos

Noturno em Jaraguá

Norton Sarmento Filho

Night and day, São Jorge, Tabariz,
Rua Sá e Albuquerque, marinheiros gregos,
noruegueses, finlandeses, indianos,
filipinos, etc ..................................
e o porto em frente testemunhando
a devassidão de corpos ébrios –
naufragados de sonhos e erotismo.

Os antigos casarões concupiscentes
eram os eternos coniventes do amor,
e nas suas fesceninas alcovas
eros perpetrou o solitário orgasmo,
no monte de vênus da sedenta meretriz.

Night and Day, São Jorge, Tabariz,
Rua Sá e Albuquerque, marinheiros gregos,
noruegueses, finlandeses, indianos,
filipinos, etc ...................................
e a noite do tempo não passou ainda,
nem o charleston nem o tango, o bolero,
o samba, o rock, o twist, a pop music
e todos os corpos que se amaram
em Jaraguá nightorrentemente.


En memória de César Figueiredo

Héctor Pellizzi

Me duele la noticia de la muerte de Cesar
el petiso que tenía estrellas em la mirada.
Claro y simple, com su bohemia prendida
en el azul de sus manos.

Yo lo recuerdo bajo la noche de Maceió,
en aquel bar, com Wanderley y Marcos Farias,
me acuerdo de la última copa,
de su ultima sonrisa, de sus espaldas doloridas.

Pero más me acuerdo de la primera vez,
quando me dió su libro, e um abrazo
y la borrachera de alegria y de cerveza
que compartimos com Norton
aquel barbado y lúcido alagoano...

Me duele su muerte com puñahales
incomprensibles e se me atraviesa
em la garganta la impotencia
de volver a Maceió y no encontrarlo.

(Escrito pelo poeta argentino em homenagem ao escritor alagoano)

13 de dezembro de 2009

Melhores poemas que eu li

Dois e dois são quatro

Ferreira Gullar

Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena

Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena.

Melhores poemas que eu li

Mar Portuguez

Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.