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4 de dezembro de 2009

Meus poemas

Para Lêdo Ivo ao modo de Sidney Wanderley

Iremar Marinho

Ninguém sai do poema de Lêdo
Sem o mar estético
Sem as várzeas fluidas
Sem as raparigas do Cavalo Morto

Ninguém sai do poema de Lêdo
Sem lama lacustre
Sem dormir com as putas
Dos velhos sobrados
De Jaraguá redivivo

Ninguém sai do poema de Lêdo
Sem o açúcar bruto
Do porão das naves
No porto ancoradas

Meus poemas

Moto-poema

Iremar Marinho

Tive um poema
sua forma era
seu vazio-noite

Tive um poema
seu motivo era
seu moto-perene

Tive um poema
que persigo a mim
do fundo do espelho

Tive um poema
que perdi na aura
da morfometase

Tive um poema
de raro segundo
que me esvaiu

Tive um poema
que vida não tive
(um tema-revide)

3 de dezembro de 2009

Poema de Cícero Melo

Conspiração das musas, por certo.
Ao levantar-me para caminhar,
hoje, às 5 horas, "enquanto a chaleira
chiava", liguei o computador e abri
este Bestiário e o e-mail, deparando-me
com o aviso lacônico do poeta:
"Nasceu agora. Pode publicar".
Eis aí:

O perfume da ternura

Cicero Melo

Ventos perfumados com
Ternuras vestidas de
Leitos de sedento som.
Amores amargos a me
Dar sombra; passava por
Seios e sonhos, entre
Vargens de velada cor,
Vozes de vinhoso ventre.
Amores voavam, pois
Nos desejos ocos, em
Volta do sonho depois
Do que nada nunca vem.

1 de dezembro de 2009

Poemas de Cícero Melo

O poeta Cícero Melo, alagoano de União dos Palmares,
radicado no Recife, é, sem favor algum, um dos fortes
poetas em atividade em Pernambuco.

Como genuíno artista da palavra, nada tem de vulgar,
nada concede ao fácil. Com ele renova-se o nosso
melhor lirismo — em imagens, em musicalidade,
em domínio de técnica.

Sob esse último aspecto,
é visível seu gosto pela métrica e de extremo
bom senso o uso do verso livre com o necessário
rigor que este merece.

Foi o que fez desde mais jovem para abrir clareiras
à melopeia que permeia a sua poesia.
Ler e reler a poesia desse poeta tão inteligente
quanto avesso à chamada “vida literária”
é um permanente prazer. Vejam fragmentos
de seus livros Poemas da Escuridão
e O Verbo Sitiado, publicados
pelas Edições Bagaço, no Recife.

(Quem é esse que traz os pés cativos
À sentença de acasos e de meses,
Vago morto que aprende com os vivos?
Quem é esse de sonhos insepulto?)
Me perguntaram e neguei três vezes
Que era eu mesmo pelo mundo oculto.


Vênus Furiosa

A semente do amor rebenta a chama
E transita de novo o ser amado.
Ardor de mar sem foz, torpor alado.

Mas se Eros te foge, o amor reclama.

É sedosa a casa de quem ama
E sedento o jardim do seu cuidado.


Moldura

Desce rumo à infância
A morte despertada.
Pó e pesadelo
Nunca envelhecem.


Todos os pintassilgos morrerão

Todos os pintassilgos morrerão.
Morrerão todos os cantares.
Todos luminares morrerão.
Cegarão todos os olhos.
Todos os ossos secarão.
Ninguém se evadirá:
Todos serão sequestrados.

Esta é a cruz calcificaada
Em todas as mentes e margens.

Todos os pintassilgos morrerão.
Morrerão todos os monarcas.
Todas as menarcas cessarão.
Matarão todos os morgues.
Todos os morbos medrarão.
Não haverá anistia:
Todos serão executados.

Amarga fotografia enforcada na insônia...