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2 de março de 2017

Carl Hamblin

Edgar Lee Masters

A oficina gráfica do Clarion de Spoon River foi destruída
E me besuntaram de alcatrão em mistura com plumas
Por ter publicado, no dia em que enforcaram os
Anarquistas de Chicago, o seguinte:
Vi uma bela mulher com os olhos vendados
Num pedestal, nos degraus de um templo de mármore.
As multidões passavam diante dela
Dirigindo-lhe um olhar de quem implora.
Na mão esquerda ela sustentava uma espada.
Ela brandia a espada
Golpeando ora uma criança, ora um trabalhador,
Ora uma mulher que se esquivava, ora um lunático.
Na mão direita ela sustinha uma balança:
Na balança eram jogadas moedas de ouro
Por aqueles que escapavam ao golpe da espada.
Um homem, com uma toga preta, leu de um manuscrito:
- Ela não respeita as pessoas.
Então um jovem que usava boné vermelho
Pulou para o lado dela e arrebatou-lhe a venda.
Ah, as pestanas haviam sido comidas
Das pálpebras lodosas;
Os olhos estavam cauterizados por um visgo leitoso:
A loucura de uma alma estertorante
Estava gravada em sua face…
Mas a multidão ficou sabendo por que ela usava a venda.”

(Da Antologia da Nova Poesia Norte-Americana, de Jorge Wanderley)

6 de setembro de 2016

Conheça o palmarino Iremar Marinho

Cantar cigano para Garcia Lorca


Iremar Marinho


Eu tenho um nacarado no chapéu,
luzindo no profundo azul do céu.

Luar do sono, e quando acordo,
na viola, da menina me recordo.

Eu vejo um véu de nardos no bordel,
guardo o sonho do poeta no papel.

Aura de estrelas iluminando
o bailado de meninas de aluguel.

Eu vejo dos cavalos o tropel,
as capas negras e o rufar dos tamboris.

Vejo o poeta nas entrelinhas,
beijando a morte na mirada dos fuzis.

Biografia:

Iremar Marinho de Barros
 é natural de União dos Palmares [AL], residente em Maceió. É jornalista, publicitário e advogado, graduado em 1976, pela Universidade Federal de Alagoas. Exerceu a função de editor e repórter de vários jornais e televisão.

Integrante da Coletânea Caeté do Poema Alagoano, publicada em 1987, recebeu do crítico Marçal Calmon a seguinte apreciação: 'Com extraordinário poder de síntese, dizendo muito em poucas palavras, resumindo em poemas concisos um mundo de idéias, Iremar Marinho de Barros é uma agradável surpresa que a coletânea nos revela. Todos os seus poemas impressionam pela maturidade'.

Tem vários poemas publicados na Coletânea Caeté do Poema Alagoano, na seção Mural de Poemas do jornal Extra - AL, e o poema 'No Mar de Cuba', no livro Freitas Neto - Prosa, Verso e Graça, editado pela Casa da Amizade Freitas Neto Cuba-Brasil.

É autor, pela Chama Publicidade, da mensagem da TV Gazeta de Alagoas, comemorativa aos 25 anos da Rede Globo de Televisão, exibida pela emissora em todo o país.

Foi homenageado com a Comenda Jorge de Lima, pela Prefeitura Municipal de União dos Palmares-AL. 


Veja seu blog Bestiário Alagoano


25 de agosto de 2016

Mortos, de Marcondes Costa

Revista de Poesia Alagoana: Mortos, de Marcondes Costa: Os mortos nossos mortos estão sempre dentro de nós os mortos nossos mortos nunca nos deixam a sós (Fonte: http://gazetaweb.globo.com...

23 de junho de 2016

POEMA DE CICERO MELO

MEU ÚLTIMO AMOR

Cicero Melo

Nunca houve nos caminhos da jornada
Da vida notação, me acompanhando
Estava a Morte, a última da estrada
Das mulheres que amei, me degolando.
Mas, antes de morrer, e olhando o nada
Falei: “Eu que nasci sempre te amando,
Por que deceparás o ser amado,
O que sempre te amou e irá te amando.
Agora, a morte é minha amante e amiga
Dorme sempre nos sonhos: tão querida .
Mas, ela , nunca dorme, sempre a voar
Todo dia me deixa tão sozinho...
Mas sempre volta a mim com um bom vinho
Do sangue que acabara de ceifar.